quinta-feira, 21 de abril de 2011

REALIDADE NUA E CRUA NAS RUAS DE SÃO LUIS- MA

Viciados da "Cracolândia" continuam na ativa
Alguns usuários da droga revelam que não conseguem viver e nem trabalhar sem consumí-la. No local existem outros traficantes. Polícia prepara mais uma operação.

Usuários não conseguem deixar o vício.


Homem de olhar desconfiado, magro, unhas amareladas, vestimentas humildes e bem agitado. Estas são as características de Josiel Pereira da Silva, 30 anos, um dos 28 usuários de drogas da “cracolândia”, localizada na Feira do João Paulo, que foram levados durante a operação surpresa feita pela Polícia Civil, na última terça-feira. “Eu não consigo viver sem fumar um baseado de maconha, principalmente, durante o meu trabalho de carregador nessa feira”, disse Josiel da Silva. Como ainda falou que começou a usar drogas desde os 16 anos de idade quando morava na Vila Embratel.

Atualmente, recém-separado e com um filho de 3 anos para criar não consegue mais se libertar do mundo das drogas. “Fiquei com muita vergonha, pois, fui detido com o meu filho nos braços, mas, sei que sou o causador disso tudo, pois, já perdi a minha esposa e agora, posso perder o filho”, diz Josiel da Silva.

Ele ainda disse que o local há vários traficantes, que transitam o dia todo na via, oferecendo o produto de forma bem natural, ou seja, igual esteja vendendo uma fruta ou uma verdura. No momento, o preço de uma cabeça de merla é o valor de R$ 5; da maconha é de R$ 2 e uma pequena pedra de crack é em torno de R$ 5 ou R$ 7. “Eu sei que a polícia fez a parte dela, mas, voltei para a rua, não consigo sair desse mundo”, lamenta Josiel da Silva.

O cenário do mundo do tráfico é de mulheres, homens e adolescentes escondidos atrás dos caminhões de cargas e contêineres de lixo fumando maconha e também os cachimbos de merla.

O superintendente do Centro Integrado de Defesa Social da Área Oeste, Joviano Furtado, um dos coordenadores da operação da última terça-feira à cracolândia, falou que a polícia tem feito a parte dela e o trabalho policial vai continuar, principalmente, realizando operações surpresas até coibir com o tráfico nessa área. Em relação aos 28 usuários que foram levados até a Academia de Polícia Civil, no São Raimundo, quatro usuários começarão a partir da próxima segunda-feira, o tratamento de desintoxicação no hospital especializado.

A assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Militar tem feito o policiamento ostensivo diário na área da cracolândia e agora, as rondas serão intensificadas tendo o objetivo de coibir não só o tráfico na área, mas também as práticas de furtos e roubos.


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